Relatório Executivo de Atividade

1ª Oficina de Participação Cidadã

Projeto Câmara na Rua  ·  CEU Jaçanã, Jardim Guapira  ·  São Paulo, 21 mar. 2026

Data 21 de março de 2026
Participantes 45 de 68 inscritos
Facilitadora Fernanda Luchiari de Lima
Documento EP-CNR-2026-001
Escola do Parlamento Câmara Municipal de São Paulo

Sumário Executivo

A primeira Oficina de Participação Cidadã do projeto Câmara na Rua foi realizada em 21 de março de 2026 no CEU Jaçanã, equipamento público de referência comunitária no distrito do Jaçanã, Zona Norte de São Paulo. A atividade, com três horas de duração e facilitada por profissional credenciada pela Escola do Parlamento, reuniu 45 participantes — de um total de 68 inscritos — em exercício de mapeamento e priorização coletiva de demandas territoriais.

O público foi composto predominantemente por mulheres acima de 40 anos, com alto grau de escolaridade e forte vinculação ao terceiro setor e ao associativismo local. Embora esse perfil ateste a capacidade de mobilização do programa junto a lideranças organizadas, representa também uma limitação: jovens, trabalhadores informais e populações em situação de maior vulnerabilidade permaneceram sub-representados.

As demandas levantadas foram organizadas em seis eixos temáticos. Os dois de maior urgência percebida são a drenagem e contenção de enchentes do Rio Cabuçu de Cima — com relatos de perdas materiais recorrentes — e a ampliação da rede de atenção básica à saúde, agravada pela sobrecarga da UPA Jaçanã, que realizou mais de 226 mil atendimentos em 2025.

Para fins de atuação parlamentar, as demandas foram traduzidas em três horizontes: ações de curto prazo voltadas à fiscalização e manutenção; medidas de médio prazo centradas na ampliação de serviços; e pautas estruturantes de planejamento territorial de longo prazo, incluindo a integração das demandas ao Plano Plurianual e a revisão do Plano Diretor para proteção de áreas de várzea e encosta.

Apresentação da Atividade

Este relatório trata da primeira edição das Oficinas de Participação Cidadã do projeto Câmara na Rua, iniciativa da Câmara Municipal de São Paulo voltada à escuta qualificada da população e à organização de demandas territoriais junto ao Poder Legislativo municipal.

A atividade foi realizada no dia 21 de março de 2026, às 9h00, sob facilitação de Fernanda Luchiari de Lima, facilitadora contratada pela Escola do Parlamento por meio de Edital de Credenciamento. O local, CEU Jaçanã (R. Francisca Espósito Tonetti, 105 — Jardim Guapira), reúne escola, quadras, biblioteca e espaços de convivência, sendo referência de centralidade comunitária no território. Situa-se em área de confluência entre os bairros do Jaçanã e do Jardim Guapira, próxima à Av. Guapira, eixo estruturante da subprefeitura.

Identificação da Atividade
Projeto Câmara na Rua — Escola do Parlamento / CMSP
Atividade Oficina de Participação Cidadã
Local CEU Jaçanã — R. Francisca Espósito Tonetti, 105, Jardim Guapira, São Paulo/SP
Data e horário 21 de março de 2026, das 9h00 às 12h00
Carga horária 3 horas de atividade presencial participativa
Facilitadora Fernanda Luchiari de Lima, com apoio de equipe da Escola do Parlamento
Participantes 45 pessoas (de 68 inscritos)
Público Cidadãos, lideranças comunitárias e representantes da sociedade civil do Jaçanã e entorno

Caracterização do Território

2.1 Contexto geral: Subprefeitura Jaçanã/Tremembé

O CEU Jaçanã está inserido na Subprefeitura Jaçanã/Tremembé, que abrange dois distritos municipais — Jaçanã e Tremembé — com área total de 64,1 km² e população de aproximadamente 291 mil habitantes (Censo IBGE 2022). O distrito do Jaçanã concentra cerca de 96 mil pessoas em apenas 7,8 km², resultando em alta densidade urbana. O Tremembé, com 56 km² e 225 mil habitantes, é o quarto maior distrito do município em extensão, com expressiva presença de áreas verdes, incluindo parte do Parque Estadual da Cantareira.

Historicamente, a região desenvolveu-se ao longo de linhas de trem e em direção à Serra da Cantareira, apresentando processo de urbanização marcado por desigualdades socioespaciais e ocupação de áreas ambientalmente sensíveis, especialmente nas margens do Rio Cabuçu de Cima, principal vetor de enchentes no território.

2.2 Equipamentos públicos no entorno do CEU Jaçanã

O território dispõe de alguns equipamentos públicos relevantes, ainda que a percepção comunitária aponte gaps significativos de cobertura, especialmente na atenção básica à saúde e na assistência social:

TipoEquipamentoEndereço / ReferênciaObservação
EducaçãoCEU Jaçanã (local da oficina)R. Francisca Espósito Tonetti, 105Escola, quadras, biblioteca, convivência
SaúdeUBS Jaçanã — Dr. Sebastião Gabriel Sayago de LaetR. São Geraldino, 222Atend. 7h–19h / seg–sex
SaúdeUPA Jaçanã (24h)R. Ester Elisa, 229+18.850 atend./mês em 2025
Assist. SocialCRAS JaçanãAv. Guapira, 2145 — V. ConstançaAtend. 8h–18h / seg–sex
EducaçãoEE Prof.ª Eurico FigueiredoR. Ministro Fonseca Filho, 75Escola estadual de ensino regular
EducaçãoEE Júlio PestanaAv. Guapira, 2862Escola estadual — Av. Guapira
Meio AmbienteRio Cabuçu de CimaBacia hidrográfica — Jaçanã/TremembéPrincipal vetor de enchentes
Nota: A UPA Jaçanã é uma das mais demandadas do município, realizando mais de 226 mil atendimentos somente em 2025, o que evidencia a pressão sobre a rede de saúde na região.

Localização — CEU Jaçanã e Entorno

O mapa a seguir apresenta a localização do CEU Jaçanã e dos principais equipamentos públicos no raio de influência da atividade.

Mapa de localização — CEU Jaçanã e entorno
CEU Jaçanã — R. Francisca Espósito Tonetti, 105 — Jardim Guapira, São Paulo/SP  ·  Raio de 500 metros

Perfil dos Participantes

45Participantes presentes
71%Mulheres
78%Com 40 anos ou mais
61%Superior completo ou pós-grad.
35%Vinculados ao terceiro setor

O público da primeira oficina foi composto predominantemente por mulheres com idade superior a 40 anos, com elevado grau de escolaridade e forte vinculação ao terceiro setor e ao associativismo local.

4.1 Insights participativos

a. Público predominantemente feminino, maduro e engajado civicamente. O evento atraiu um perfil muito específico: mulheres com mais de 40 anos, alta escolaridade, atuantes no Terceiro Setor, motivadas pela cidadania. Este é um nicho fiel, mas sinaliza baixa diversidade de perfis — jovens, homens e trabalhadores do setor privado são sub-representados.

b. O Terceiro Setor é o coração do público. Com 35% dos participantes, organizações da sociedade civil são a principal base de engajamento. A presença de entidades como MNLM, Instituto Novos Horizontes e Movimento Salve Periférico indica que o evento chega a redes de ativismo comunitário e movimentos de base — um ativo estratégico para a CMSP.

c. Alto nível educacional — possível viés de seleção. Mais de 61% tem ensino superior completo ou pós-graduação. Isso pode indicar barreira de acesso ao programa para populações com menor escolaridade, mesmo sendo gratuito. A Região Norte de SP tem perfil socioeconômico mais diverso do que o público inscrito sugere.

Limitação identificada: Grupos mais vulneráveis — jovens, trabalhadores informais, imigrantes, pessoas em situação de rua — tendem a ficar sub-representados em processos participativos dessa natureza. Ampliar a diversidade do público é condição para que as demandas levantadas reflitam efetivamente as necessidades do território como um todo.

Demandas Levantadas pelos Participantes

As demandas foram organizadas coletivamente durante a oficina em seis eixos temáticos. A síntese a seguir é baseada nas anotações produzidas pelo grupo, com indicação dos órgãos municipais potencialmente responsáveis.

Eixo 01 — Urgente

Infraestrutura Urbana, Drenagem e Enchentes

Demanda de maior recorrência e urgência percebida. O Rio Cabuçu de Cima é o principal vetor de risco, com registros de transbordamento em períodos de chuva intensa. Participantes relataram perdas materiais recorrentes, dificuldade de acesso a ruas e danos a imóveis.

  • Obras de contenção e canalização do Rio Cabuçu de Cima
  • Pavimentação e manutenção de vias em áreas de encosta
  • Implantação de sistemas de alerta e drenagem em fundos de vale
  • Revisão de obras de contenção de encostas e taludes

Órgãos envolvidos: SIURB, Subprefeitura Jaçanã/Tremembé, SVMA

Eixo 02 — Urgente

Saúde Pública e Atenção Básica

Demanda estrutural, fortemente marcada pela sobrecarga da UPA Jaçanã (mais de 18 mil atendimentos mensais em 2025) e por lacunas na cobertura da atenção básica, com longas filas e dificuldade de acesso a especialidades.

  • Ampliação e reforma de Unidades Básicas de Saúde (UBS)
  • Redução do tempo de espera para consultas com especialistas
  • Ampliação das equipes de Saúde da Família
  • Atendimento em saúde mental e apoio psicossocial

Órgãos envolvidos: Secretaria Municipal de Saúde (SMS), OSS parceiras, Coordenadoria Regional de Saúde Norte

Eixo 03 — Média prioridade

Mobilidade e Acessibilidade

A região apresenta limitações estruturais de mobilidade, com linhas de ônibus sobrecarregadas e ausência de alternativas de transporte ativo. Participantes relataram dificuldades de deslocamento especialmente para idosos e pessoas com deficiência.

  • Ampliação de frequência e cobertura de linhas de ônibus
  • Implantação de calçadas acessíveis e rampas em vias de alta circulação
  • Sinalização e equipamentos para pedestres idosos

Órgãos envolvidos: SPTrans, SMSP, Subprefeitura

Eixo 04 — Alta prioridade

Segurança Pública

Demanda de alta percepção subjetiva, com relatos de insegurança em áreas de baixa iluminação, praças e entornos escolares. Participantes destacaram a necessidade de integração entre poder público e comunidade.

  • Melhoria e ampliação da iluminação pública
  • Presença mais efetiva da Guarda Civil Metropolitana
  • Ações integradas de segurança em entornos de equipamentos públicos

Órgãos envolvidos: SMSU, GCM, SSP-SP (âmbito estadual)

Eixo 05 — Alta prioridade

Meio Ambiente, Saneamento e Resíduos

O bairro enfrenta problemas crônicos de descarte irregular de lixo, especialmente em margens de córregos e encostas. A presença do Parque da Cantareira não elimina a vulnerabilidade ambiental das áreas de baixada.

  • Ampliação da frequência de coleta de lixo em vias irregulares
  • Combate a pontos de descarte irregular (bota-foras)
  • Esgotamento sanitário em áreas de urbanização precária

Órgãos envolvidos: SVMA, AMLURB, Sabesp (estadual)

Eixo 06 — Média prioridade

Equipamentos Públicos, Cultura e Segurança Alimentar

Participantes destacaram a escassez de espaços de lazer, cultura e apoio alimentar no território, com demandas específicas voltadas a crianças, jovens e idosos.

  • Ampliação de atividades culturais, esportivas e de lazer no CEU
  • Criação ou fortalecimento de Restaurantes Populares e Bancos de Alimentos
  • Programas de apoio a idosos e crianças em situação de vulnerabilidade alimentar

Órgãos envolvidos: SMADS, SMC (Secretaria Municipal de Cultura), ABAST


Síntese e Priorização das Demandas

Com base nas discussões registradas durante a oficina, é possível identificar uma hierarquização das demandas a partir de três critérios combinados: (a) recorrência territorial; (b) impacto direto na vida cotidiana; e (c) urgência percebida pela comunidade.

# Demanda Eixo temático Urgência
1 Drenagem e contenção de enchentes — Rio Cabuçu de Cima Infraestrutura urbana Urgente
2 Ampliação e estruturação da rede de atenção básica à saúde Saúde pública Urgente
3 Limpeza urbana, saneamento e combate a descarte irregular Meio ambiente / saneamento Alta
4 Segurança pública e iluminação Segurança urbana Alta
5 Mobilidade e acessibilidade (transporte e calçadas) Mobilidade Média
6 Ampliação de equipamentos públicos, cultura e segurança alimentar Assistência social / cultura Média

Síntese para Atuação Parlamentar

As demandas identificadas podem ser organizadas em três horizontes de atuação legislativa e de fiscalização:

Curto prazo

Manutenção e resposta imediata

  • Fiscalização das obras de drenagem do Rio Cabuçu e cobrança de prazos junto à SIURB
  • Indicação de melhorias de iluminação pública e manutenção viária
  • Solicitação de reforço de coleta de resíduos em vias irregulares

Médio prazo

Ampliação de serviços e infraestrutura

  • Emendas orçamentárias vinculadas à saúde: ampliação de equipes de ESF e novos equipamentos de atenção básica
  • Articulação com a SPTrans para revisão de linhas de ônibus na região
  • Apoio a projetos de urbanização e regularização fundiária em áreas de risco

Estruturante

Planejamento territorial de longo prazo

  • Revisão do Plano Diretor para proteção de áreas de várzea e encosta no distrito
  • Articulação com políticas estaduais de segurança hídrica e saneamento
  • Integração das demandas ao processo de elaboração do Plano Plurianual (PPA)
Alerta legislativo — Potencial de sub-representação. As demandas sistematizadas neste relatório refletem principalmente a perspectiva de lideranças organizadas. Parlamentares devem considerar que grupos em situação de maior vulnerabilidade — especialmente jovens, população em situação de rua e trabalhadores informais — podem ter demandas distintas não captadas nesta edição. Recomenda-se que edições subsequentes do Câmara na Rua no território incluam estratégias específicas de alcance a esses grupos.

Análise da Dinâmica Participativa

A oficina reuniu 45 participantes e evidenciou alta capacidade de formulação coletiva, com articulação clara de demandas e boa disposição para trabalho em grupo. Foram utilizadas metodologias participativas de mapeamento e priorização, com resultados sistematizados em plenária.

Potencialidades observadas

  • Alta capacidade de formulação coletiva
  • Presença de lideranças experientes
  • Engajamento consistente ao longo da atividade
  • Boa disposição para trabalho em grupo e escuta coletiva

Riscos e limitações

  • Concentração de fala em atores mais organizados
  • Sub-representação de grupos vulneráveis
  • Risco de reprodução de agendas já institucionalizadas
  • Ausência de registro formal da plenária de priorização

Considerações Finais

A primeira Oficina de Participação Cidadã do projeto Câmara na Rua no CEU Jaçanã demonstrou o potencial do território para o engajamento cidadão qualificado. As demandas sistematizadas evidenciam necessidades estruturais acumuladas — enchentes, saúde, saneamento — que requerem resposta coordenada do Executivo e atenção fiscalizadora e legislativa do Parlamento municipal.

O projeto cumpre sua função ao criar um espaço formal de escuta e organização de demandas territoriais. Para que esse potencial se traduza em transformação concreta, é indispensável garantir continuidade das atividades, diversificação do público e, sobretudo, a devolutiva institucional que dá sentido à participação cidadã.

Documento produzido pela Escola do Parlamento com base nos registros da 1ª Oficina de Participação Cidadã do projeto Câmara na Rua, realizada em 21 de março de 2026 no CEU Jaçanã. São Paulo, março de 2026.